Representantes de 37 cidades de nove estados brasileiros participaram, no último fim de semana, do 2º Encontro das Procissões do Fogaréu do Brasil, realizado em Caxias, no Maranhão. O evento reuniu organizadores, artesãos e fiéis envolvidos com a celebração religiosa para compartilhar conhecimentos, discutir estratégias de organização e fortalecer a preservação da tradição. Entre os participantes estavam representantes dos municípios piauienses de Porto, Parnaíba e São Gonçalo do Piauí.
O encontro integra uma iniciativa de articulação entre cidades brasileiras que realizam a Procissão do Fogaréu, manifestação religiosa tradicionalmente associada à Semana Santa. A celebração representa a perseguição e prisão de Jesus Cristo no Monte das Oliveiras, por meio de cortejos noturnos marcados pela presença de tochas e personagens caracterizados.
A primeira edição do encontro foi realizada na Cidade de Goiás (GO), considerada uma das principais referências nacionais da manifestação. Neste ano, Caxias sediou a programação, que incluiu atividades de intercâmbio sobre aspectos religiosos, culturais e organizacionais das procissões.
Piauienses buscam fortalecer celebrações locais
A participação piauiense reuniu representantes de três municípios em diferentes estágios de organização de suas procissões.
Em Porto, localizado a cerca de 170 quilômetros ao norte de Teresina, a Procissão do Fogaréu é realizada há apenas dois anos. O município já mantém há mais de três décadas a tradição da Via-Sacra e passou a incorporar a encenação da perseguição e prisão de Jesus Cristo como parte das celebrações da Semana Santa.
Os representantes Antônio Marcos, Derivaldo e Jânio participaram das atividades em Caxias e destacaram os conhecimentos adquiridos sobre a confecção de capuzes e a estruturação de associações culturais, considerados importantes para a continuidade e o fortalecimento da manifestação no município.
São Gonçalo do Piauí também esteve representado por três participantes. Já em Parnaíba, a Procissão do Fogaréu é realizada há 12 anos. Os organizadores participaram do encontro com o objetivo de aprimorar a celebração e ampliar sua valorização como manifestação religiosa e cultural durante a Semana Santa, período de maior movimentação turística na região.

Oficinas compartilham técnicas e experiências
Entre as atividades oferecidas, a oficina de confecção de capuzes foi conduzida pelo artesão goiano Benedito Ferreira, que atua na tradicional Procissão do Fogaréu da Cidade de Goiás. Ele compartilhou técnicas de produção e orientações sobre a escolha de materiais utilizados nas vestimentas dos farricocos.
A procissão goiana mobiliza, segundo os organizadores, entre 60 mil e 80 mil pessoas e conta com 60 farricocos. Além de seu significado religioso, a celebração movimenta diferentes setores da economia local, incluindo artesãos, gráficas e estabelecimentos comerciais.
Em Caxias, a produção das tochas também exemplifica a importância do trabalho artesanal para a realização do evento. O artesão Luiz Neto utiliza materiais reaproveitados, como latas de bebidas e madeira, na confecção de mais de duas mil tochas. A experiência deu origem a oficinas destinadas a outros artesãos, com o objetivo de compartilhar técnicas e padronizar a produção.
A programação também abordou a criação de associações culturais, a organização das celebrações e a transmissão de práticas devocionais, como os benditos, cânticos religiosos tradicionais preservados pela cultura popular.
Segundo Léo Barata, organizador da Procissão do Fogaréu de Caxias e vice-presidente da Comissão Nacional de Salvaguarda das Procissões do Fogaréu, a proposta é promover a troca de conhecimentos entre comunidades que mantêm a tradição em diferentes regiões do país.
“No ano passado, nós realizamos na Cidade de Goiás, que é a cidade referência do Fogaréu no Brasil, e este ano é aqui em Caxias. Representantes de nove estados puderam aprender sobre a teologia do Horto das Oliveiras, tiveram oficinas importantes de como fazer capuzes, de como formar sua associação e de benditos, que são rezas antigas do costume popular e devocional. Foi um momento muito especial”, destacou.

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